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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Perguntas de Kardec em "O LE" - respostas incompletas


Perguntas de Kardec em “O Livro dos Espíritos”
 - respostas incompletas...

História
O “O Livro dos Espíritos” (“O LE”) é o alicerce definitivo do Espiritismo.
Esse livro foi escrito pelo eminente professor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869), sob o pseudônimo Allan Kardec.
Contém essa obra 1.019 perguntas formuladas pelo referido professor e dirigidas aos Espíritos que o arrimavam, deles obtendo respostas registradas por vários médiuns psicógrafos. Kardec analisou todas as respostas, verificando que dentre as 1.019 perguntas havia algumas sem respostas conclusivas. Não obstante registrou-as também no livro que a seguir publicou: “O Livro dos Espíritos”, em 18.abril.1857.
Sendo homem de ciências, altamente conceituado e consagrado na França, o professor Hippolyte considerou que seria prudente valer-se de um pseudônimo, objetivando com isso evitar mal-entendidos materialistas, que poderiam prejudicar a propagação (publicação do livro com as respostas obtidas).
Assim, a partir de 18 de abril de 1857, o mundo conheceu o primeiro livro espírita, seguido de outros quatro: “O Livro dos Médiuns” (1861), “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (1864), “O Céu e o Inferno” (1865) e “A Gênese” (1868) — todos elaborados por Kardec, formando a denominada “Codificação da Doutrina dos Espíritos”.
A primeira edição de “O LE” contou com 501 questões. Porém, em 1860 Kardec reuniu subsídios suficientes para publicar a segunda edição, nelas inserindo mais um conjunto de instruções que amealhara. Nessa nova edição, com 1018 questões[1], distribuiu as matérias, agora, pela abrangência dos temas, com ordem mais metódica, simultaneamente suprimindo o que tivesse sentido dúbio; não bastasse, acrescentou notas explicativas (asseverou isso na Revista Espírita de julho de 1860).
Foi nesse momento que surgiu o erro de numeração da questão 1011 onde a mesma foi suprimida, por todas as outras quatorze edições até sua morte.
Obs: Ainda em 1858 Kardec criou uma publicação mensal tratando de diversas outras questões ligadas ao Espiritismo — a Revista Espírita —, que editou de 1858 a 1869 (ano do seu falecimento).

Características de "O LE"
“O Livro dos Espíritos” se divide em quatro partes (como comumente se apresentavam as obras filosóficas à época), as quais abordam respectivamente:
1ª Parte - As causas primárias - noções de divindade, Criação e elementos fundamentais do Universo (questões 1 a 75).
2ª Parte - Mundo espírita ou dos Espíritos - analisando a noção de Espírito e toda a série de imperativos que se ligam a esse conceito, a finalidade de sua existência, seu potencial de auto-aperfeiçoamento, sua pré e sua pós-existência e ainda as relações que estabelece com a matéria (questões 76 a 613);
3ª Parte - Leis morais - trabalhando com o conceito de Leis de ordem moral a que estaria submetida toda a Criação, quais sejam as leis de: adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade e justiça, amor e caridade (questões 614 a 919);
4ª Parte - Esperanças e consolações – Penalidades e prazeres terrenos; Penalidades e prazeres futuros. (questões 920 a 1019).
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Registro a seguir as 41 perguntas elaboradas por Kardec, com os respectivos números, constantes de “O LE” e dirigidas aos Espíritos que o arrimaram na Codificação, as quais não obtiveram respostas conclusivas, sendo estas adiadas para, ao que tudo indica, quando a Humanidade estiver à altura de conhecê-las completas.
Sem qualquer pretensão, que não a de simples pesquisa, relacionei essas questões sem esclarecimento completo para que, decorridos 160 anos, seja possível refletir e atestar, quem sabe, o quanto a Humanidade progrediu?...
Antes de reproduzi-las, uma simples conjetura minha: Kardec sabia de todas as respostas...
Obs: Quando longas as perguntas ou respostas, citei apenas trecho, entre [ ] ou seguido de  (...).
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3 – Poder-se-ia dizer que Deus é infinito?
        “Definição incompleta. Pobreza da linguagem humana, insuficiente para definir o que está acima da linguagem dos homens”.
10 – Pode o homem compreender a natureza íntima de Deus?
        “Não; falta-lhe para isso o sentido”.
11 – Será dado um dia ao homem compreender o mistério da Divindade?
        (...) “A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da Humanidade o homem O confunde muitas vezes com a criatura, cujas imperfeições lhe atribui; (...)”.
13 – Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom, temos ideia completa dos seus atributos?
        “Do vosso ponto de vista, sim, porque credes abranger tudo. Sabei, porém, que há coisas que estão acima da inteligência do homem mais inteligente, as quais a vossa linguagem, restrita às vossas ideias e sensações, não tem meios de exprimir. (...)”.
18 – Penetrará o homem um dia o mistério das coisas que lhe estão ocultas?
        “O véu se levanta a seus olhos, à medida que ele se depura; mas, para compreender certas coisas, são-lhe precisas faculdades que ainda não possui”.
22 – Define-se geralmente a matéria como sendo o que tem extensão, o que é capaz de nos impressionar os sentidos, o que é impenetrável. São exatas estas definições?
         “Do vosso ponto de vista, elas o são, porque não falais senão do que conheceis. Mas a matéria existe em estados que ignorais. (...)”.
23 a) – Qual a natureza íntima do espírito?
        “Não é fácil analisar o espírito com a vossa linguagem. Para vós, ele nada é, por não ser palpável. Para nós, entretanto, é alguma coisa. Ficai sabendo: coisa nenhuma é o nada e o nada não existe”.
25 a) – Essa união (do espírito e da matéria) é igualmente necessária para a manifestação do Espírito? (Entendemos aqui por espírito o princípio da inteligência, abstração feita das individualidades que por esse nome se designam).
        “É necessária a vós outros, porque não tendes organização apta a perceber o espírito sem a matéria. A isto não são apropriados os vossos sentidos”.
28 – Pois que o espírito é, em si, alguma coisa, não seria mais exato e menos sujeito a confusão dar aos dois elementos gerais as designações de — matéria inerte e matéria inteligente?
         “As palavras pouco nos importam. Compete-vos a vós formular a vossa linguagem de maneira a vos entenderdes. As vossas controvérsias provêm, quase sempre, de não vos entenderdes acerca dos termos que empregais, por ser incompleta a vossa linguagem para exprimir o que não vos fere os sentidos”.
36 – O vácuo absoluto existe em alguma parte no Espaço universal?
         “Não, não há o vácuo. O que te parece vazio está ocupado por matéria que te escapa aos sentidos e aos instrumentos”.
42 – Poder-se-ia conhecer o tempo que dura a formação dos mundos: da Terra, por exemplo?
        “Nada posso te dizer a respeito, porque só o Criador o sabe e bem louco será quem pretenda sabê-lo, ou conhecer que número de séculos dura essa formação”.
45 – Onde estavam os elementos orgânicos, antes da formação da Terra?
        “ (...) [A resposta é longa]. Sobre uma teoria humana:
        “Esta teoria não resolve, é verdade, a questão da origem dos elementos vitais; mas, Deus tem seus mistérios e pôs limites às nossas investigações”.
49 – Se o gérmen da espécie humana se encontrava entre os elementos orgânicos do globo, por que não se formam espontaneamente homens, como na origem dos tempos?
        “O princípio das coisas está nos segredos de Deus. (...)”.
58 – Os mundos mais afastados do Sol estarão privados de luz e calor, por motivo de esse astro se lhes mostrar apenas com a aparência de uma estrela?
        “Pensais então que não há outras fontes de luz e calor além do Sol e em nenhuma conta tendes a eletricidade que, em certos mundos, desempenha um papel que desconheceis e bem mais importante do que o que lhe cabe desempenhar na Terra? (...)”.
78 – Os Espíritos tiveram princípio, ou existem, como Deus, de toda a eternidade?
        “(...) Quando e como cada um de nós foi feito, repito-te, nenhum o sabe: aí é que está o mistério”.
79 – Pois que há dois elementos gerais no Universo: o elemento inteligente e o elemento material, poder-se-ia dizer que os Espíritos são formados do elemento inteligente, como os corpos inertes o são do elemento material?
        “Evidentemente. (...) A época e o modo por que essa formação se operou é que são desconhecidos”.
81 – Os Espíritos se formam espontaneamente, ou procedem um dos outros?
        “(...) Mas repito ainda uma vez, a origem deles é mistério”.
82 – Será certo dizer-se que os Espíritos são imateriais?
        “Como se pode definir uma coisa, quando faltam termos de comparação e com uma linguagem deficiente? Pode um cego de nascença definir a luz? (...) O Espírito há de ser alguma coisa. É a matéria quintessenciada, mas sem analogia para vós outros, e tão etérea que escapa inteiramente ao alcance dos vossos sentidos”.
83 – Os Espíritos têm fim? (...) É difícil de conceber-se que uma coisa que teve começo possa não ter fim.
        “Há muitas coisas que não compreendeis, porque tendes limitada a inteligência. (...)”.
88 – Os Espíritos têm forma determinada, limitada e constante?
        “Para vós, não; para nós, sim. O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea”.
123 – Por que há Deus permitido que os Espíritos possam tomar o caminho do mal?
        “Como ousais pedir a Deus contas de seus atos? Supondes poder penetrar-lhe os desígnios? (...)”.
138 – Que se deve pensar da opinião dos que consideram a alma o princípio da vida material?
        “É uma questão de palavras, com que nada temos. Começai por vos entenderdes mutuamente”.
139Alguns Espíritos e, antes deles, alguns filósofos definiram a alma como sendo: “uma centelha anímica emanada do grande Todo”. Por que essa contradição?
        “Não há contradição. Tudo depende das acepções das palavras. Por que não tendes uma palavra para cada coisa?”.
143 – Por que todos os Espíritos não definem do mesmo modo a alma?
        “Os Espíritos não se acham todos esclarecidos igualmente sobre estes assuntos.  (...)  Sobretudo quando se trata de coisas que a vossa linguagem se mostra impotente para traduzir com clareza”.
153 a) – Não seria mais exato chamar vida eterna à dos Espíritos puros, dos que, tendo atingido a perfeição, não estão sujeitos a sofrer mais prova alguma?
        “Essa é antes a felicidade eterna. Mas isto constitui uma questão de palavras. Chamai as coisas como quiserdes, contanto que vos entendais”.
182 – É-nos possível conhecer exatamente o estado físico e moral dos diferentes mundos?
        “Nós, Espíritos, só podemos responder de acordo com o grau de adiantamento em que vos achais. Quer dizer que não devemos revelar estas coisas a todos, porque nem todos estão em estado de compreendê-las e semelhante revelação os perturbaria".
192 – Pode alguém, por um proceder impecável na vida atual, transpor todos os graus da escala do aperfeiçoamento e tornar-se Espírito puro, sem passar por outros graus intermédios?
        “Não, pois o que o homem julga perfeito longe está da perfeição. Há qualidades que lhe são desconhecidas e incompreensíveis. (...)”.
200 – Têm sexos os Espíritos?
        “Não como o entendeis, pois que os sexos dependem da organização. (...)”.
239 – Conhecem os Espíritos o princípio das coisas?
        “Conforme a elevação e a pureza que hajam atingido. Os de ordem inferior não sabem mais do que os homens”.
240 – A duração, os Espíritos a compreendem como nós?
        “Não e daí vem que nem sempre nos compreendeis, quando se trata de determinar datas ou épocas”.
257 – [Longo texto]: “Ensaio teórico da sensação nos Espíritos”):
        ... “Os próprios Espíritos nada nos podem informar sobre isso, por inadequada a nossa linguagem a exprimir ideias que não possuímos”.
 388 – Os encontros, que costumam dar-se de algumas pessoas e que comumente se atribuem ao acaso, não serão efeito de certa relação de simpatia?
        “Entre os seres pensantes há ligação que ainda não conheceis. O magnetismo é o piloto desta ciência, que mais tarde compreendereis melhor”.
392 – Por que perde o Espírito encarnado a lembrança do seu passado?
        “Não pode o homem, nem deve, saber tudo. Deus assim o quer em sua sabedoria. Sem o véu que lhe oculta certas coisas, ficaria ofuscado, como quem sem transição, saísse do escuro para o claro. Esquecido de seu passado é mais senhor de si “.
436 – O sonâmbulo que vê, à distância, vê do ponto em que se acha o seu corpo, ou do em que está sua alma?
        “Por que esta pergunta, desde que sabes ser a alma quem vê e não o corpo?”.
504 – Poderemos sempre saber o nome do Espírito nosso protetor, ou anjo de guarda?
        “Como quereis saber nomes para vós inexistentes? Supondes que Espíritos só há os que conheceis?”.
537 – [Pergunta se há fundamento na mitologia antiga e sobre Espíritos como divindades, encarregados de fenômenos geológicos de grande porte].
        “Tão pouco destituído é de fundamento, que ainda está muito aquém da verdade”.
569 – Em que consistem as missões de que podem ser encarregados os Espíritos errantes?
        “São tão variadas que impossível fora descrevê-las. Muitas há mesmo que não podeis compreender. Os Espíritos executam as vontades de Deus e não vos é dado penetrar-lhe todos os desígnios”.
604 – [Pergunta se os animais mais aperfeiçoados, mesmo os de outros mundos, são sempre inferiores ao homem, disso deduz-se que Deus teria criado seres intelectuais perpetuamente destinados à inferioridade?].
        “Tudo em a Natureza se encadeia por elos que ainda não podeis apreender. Quanto às coisas aparentemente mais díspares, no seu estado atual o homem nunca chegará a compreender. (...)”.
610 – Estão enganados os Espíritos que disseram constituir o homem um ser à parte na ordem da criação?
        “Não, mas a questão não fora desenvolvida. Demais, há coisas que só a seu tempo podem ser esclarecidas. (...)”.
613 – Embora de todo errônea, a ideia ligada à metempsicose não seria resultado do sentimento intuitivo que o homem possui de suas diferentes existências?
        [A resposta e comentários de Kardec são longos].
        Sobressai-se parte da resposta:
        “O ponto inicial do Espírito é uma dessas questões que se prendem à origem das coisas e de que Deus guarda o segredo. (...) Tudo isso são mistérios que fora inútil querer devassar e sobre os quais, como dissemos, nada mais se pode fazer do que construir sistemas. (...) Quanto às relações misteriosas que existem entre o homem e os animais, isso, repetimos, está nos segredos de Deus, como muitas outras coisas, cujo conhecimento atual não importa ao nosso progresso e sobre as quais seria inútil insistir”.
966 – Por que o homem, às vezes, faz das penalidades e dos prazeres da vida futura tão grosseira e absurda ideia?
        “ (...)  Muitíssimo incompleta é a vossa linguagem para exprimir o que está fora do vosso entendimento. (...)”.
974.a – O temor do fogo eterno não produzirá bom resultado?
        “ (...) Impotente para, na sua linguagem, definir a natureza daqueles sofrimentos, o homem não encontrou comparação mais enérgica do que a do fogo, pois para ele o fogo é o tipo do mais cruel suplício e o símbolo da ação mais violenta. (...)”.
1012 – Haverá no Universo lugares circunscritos destinados às penalidades e aos prazeres dos Espíritos, conforme seus méritos?...
a) O inferno e o paraíso não existem, tais como o homem os imagina?
        [A resposta é longa. Pincei pequenos trechos dela].
        “São simples alegorias: por toda parte há Espíritos ditosos e inditosos. (...) A localização absoluta das regiões das penas e das recompensas só na imaginação do homem existe. Provém da sua tendência a materializar e circunscrever as coisas, cuja essência infinita não lhe é possível compreender”.




[1] Nesta segunda edição é que aparecem 1018 perguntas e respostas, sendo que algumas edições
atuais trazem 1019 perguntas, acréscimo que, segundo a FEB (Federação Espírita Brasileira), foi
devido ao Codificador não ter numerado a pergunta imediatamente após a 1010, aquela que seria
a 1011. Assim sendo, o livro teria, na prática, 1019 e não, 1018 perguntas.


sexta-feira, 15 de julho de 2016

Artigo - Kardec: defensor do Espiritismo


KARDEC: Defensor do Espiritismo

Esse é o título do capítulo inicial do meu livro “150 Anos de Allan Kardec, 2006, Editora Petit, SP/SP. (Aqui, só um extrato).
Referido capítulo sintetiza a vida de Allan Kardec, noticiando como foi duramente atacado após editar em 1857 o livro espírita nº 1 (“O Livro dos Espíritos), em 1857, o qual sintetizei no meu livro.
Allan Kardec foi o pseudônimo adotado pelo eminente professor e cientista francês Hippolyte Leon Denizard Rivail (1804-1869).
Aos 50 anos (1854) Hippolyte era membro efetivo de 12 (doze) associações culturais francesas — sociedades sábias. Foi quando ouviu falar de mesas girantes. Procedeu investigação cuidadosa, captando que tais fatos se deviam a intervenção de espíritos...
Adotar pseudônimo foi cuidado quanto ao futuro do Espiritismo, ante o preconceito de então contra temas espiritualistas.
No meu livro o objetivo não foi remoer quantos ataques e intolerância Allan Kardec teve que enfrentar, mas sim, pôr a descoberto para os espíritas de hoje, como Kardec é-nos modelo-defensor, a toda vez que o Espiritismo seja alvo de aleivosias, que infelizmente ainda ocorrem amiúde.
Eclesiásticos, políticos e a Inquisição (com o famigerado “Index Librorum Prohibitorum”) foram alguns dos ataques desfechados contra Allan Kardec, que a todos respondeu, com bom senso e comprovação robusta de sua idoneidade e dedicação ao Espiritismo.
Mas, como não existe força no Universo superior à “força da Razão”, que será  sempre vitoriosa nos embates contra aqueles que querem ter “razão à força”, também as multiplicadas críticas ao Espiritismo, eivadas de injúrias e controvérsias, não resistiram.

Como jamais resistirão!
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(O texto completo referente a este extrato está no meu blog, na seção "Estudos);
            O livro "150 anos de Allan Kardec, acima citado, está em e-book grátis,
                               aqui mesmo neste blog: clique na seção "Livros"

sexta-feira, 11 de março de 2016

Artigo - Reuniões Mediúnicas no Lar


REUNIÕES MÉDIÚNICAS NO LAR

— Há óbices à prática mediúnica no lar?
    SIM { }  NÃO  {x}   -  JUSTIFIQUE.

1. A resposta e os argumentos podem parecer simples, mas não são, como também aqui não se trata de enunciar que sejam complicados. Exigem, isto sim, racionalidade, oportunidade, bom senso.
A questão, já de início, necessariamente, nos remete às primeiras reuniões, em Paris, nas quais aconteciam estranhíssimos fenômenos com mesas que “inexplicavelmente” se moviam e se agitavam...
- nos idos de 1855 (maio) o grande pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail foi convidado por um amigo, o Sr Pâtier[1], para assistir a uma dessas reuniões na casa da Sra. Plainemaison, onde, pela primeira vez, presenciou os fenômenos das mesas que giravam, saltavam e corriam; sua argúcia e intelectualidade levaram-no à dedução de que, sem dúvida, havia ali ação de Espíritos (desencarnados);
- durante o ano de 1855 o eminente professor assistiu a várias outras reuniões do gênero, no mesmo endereço;
- em 1856 passou a frequentar reuniões similares, mas em outra residência: no lar do Sr Baudin. Até aqui, nas numerosas reuniões, eram tratados “assuntos frívolos”, ou “sem nenhum fim determinado tinham tido”;
- ainda em 1856 frequentou, simultaneamente, reuniões na casa da Sra. Plainemaison e na casa do Sr Roustan e Srta. Japhet; todas essas reuniões “eram sérias e com ordem”; nelas, Hippolyte levou perguntas sérias e obteve respostas precisas, com profundeza e lógica;
- a partir de então, contando com concurso de mais de dez médiuns, em reuniões mediúnicas “neologicamente espíritas”, criou os termos espírita e espiritismo[2]; recebeu do Plano Espiritual solução às mais “espinhosas questões”, elaborando um livro com todas as suas perguntas e respostas assim obtidas;
- em 1857, livro pronto, pensou em adotar um pseudônimo, considerando que o conteúdo era absolutamente diferente dos seus trabalhos anteriores, até então publicados, pois seu nome era muito conhecido no mundo científico, o que poderia originar confusão e até mesmo prejudicar o êxito do empreendimento;
- foi quando, sob orientação de Espírito protetor, adotou o pseudônimo de Allan Kardec, nome que tivera em vida passada, ao tempo dos druidas;
- e assim, em 18.abril.1857, com o vasto material que cuidadosamente modelara e remodelara, no silêncio da meditação, Hippolyte — agora Allan Kardec — apresentou ao mundo a primeira edição de O Livro dos Espíritos(!)
- alguns meses mais prosseguiu frequentando reuniões em sua própria residência e em outras residências;
- em 1° de Abril de 1858 Kardec fundou a Sociedade Espírita de Paris, pois, “nada cômoda pela sua disposição, a sala onde nos reuníamos se tornou em breve muito acanhada”.

       2. É da natureza humana o gregarismo (graças à sublime Engenharia Divina, ao engendrar a formação da família!).
- a partir da família consanguínea formaram-se e seguem formando-se, na Humanidade, outras infinitas famílias, por simbioses sociais, políticas, financeiras, esportivas, linguísticas, patrióticas, filosóficas, religiosas, etc;
- a Lei Divina do Progresso vem ditando, desde sempre, a idealização e o aperfeiçoamento da vida comunitária, e em particular, dos locais onde as múltifacetárias famílias se reúnem, a partir dos lares, depois as escolas, as fábricas, os clubes, os hospitais, os quartéis, os templos, etc;
- vem de longe no homem a busca do aconchego e intimidade que o lar lhe proporciona, estendendo-se tal busca às diversas sedes para as suas múltiplas atividades, tudo, afinal, expressando-se por espaço e privacidade àqueles grupos que comungam parentesco, ideais, gostos, práticas, etc. — sintonia, enfim;
- foi assim que das cavernas às confortáveis residências, dos toscos refúgios aos modernos quartéis, das humildes capelas às suntuosas igrejas, das humildes oficinas domésticas às grandes fábricas, dos canteiros de hortaliças às lavouras, a civilização direcionou e direciona suas ações, compartimentalizando o necessário espaço físico onde elas são ou serão exercidas;
- outra não foi a vertente proporcionada no advento do Espiritismo na Terra: como citei, a Codificação “nasceu” em residências, mas ao “crescer”, logo se transferiu para “sede própria”.

       3. Para não me alongar fico com o que a memória e pesquisas me arrimam, dizendo-me que as reuniões mediúnicas, no
Brasil, até mais ou menos a metade do século vinte, aconteciam majoritariamente em lares. Os participantes dessas reuniões familiares quase sempre contavam com a presença de amigos, convidados. Logo, também na maioria dos casos, tais reuniões deram azo, cada uma, à fundação de um Centro Espírita (C.E.), com prioridade inicial de se reunirem em uma sede, própria ou alugada.
         É assim que hoje existem milhares de Centros Espíritas no Brasil!
         Seria injusto se formulasse oposição a reuniões mediúnicas no lar, desde que não houvesse alternativa de acontecerem em outro local, especificamente destinado a tal atividade: no Centro Espírita.
         Contudo, a bem da verdade e com base em minhas reflexões, fruto de exaustivas pesquisas na bibliografia espírita e experiência pessoal, não sou daqueles que apoiam qualquer atividade mediúnica nos lares, nem mesmo durante o abençoado “Culto do Evangelho no Lar”.
        
4. Justificando:
- segundo várias citações na série “A Vida no Mundo Espiritual” (13 livros de autoria espiritual de André Luiz, com psicografia de F.C.Xavier e W.Vieira, todos editados pela FEB), vários são os aparelhos que são trazidos pelos Benfeitores Espirituais ao C.E., destinados a auxiliar as atividades mediúnicas, lá sendo instalados e por vezes permanecendo, o que nem sempre será possível num lar; para citar apenas alguns desses aparelhos[3]: “Psicoscópio”, “Condensador Ectoplasmático” e “Emissor de Raios Curativos”;
- no C.E., sob supervisão e proteção dos bons Espíritos, prossegue o tratamento dispensado aos Espíritos visitantes, necessitados, os quais, nesses casos, amiúde são ali alojados (antes, durante e mesmo após a reunião mediúnica);
- no C.E. há clima propício e geralmente equipamento adequado ao estudo evangélico (meios para comunicação audiovisual), em cursos de vários horários e para várias turmas, além de plantão de passistas e palestras públicas, tudo a benefício dos eventuais frequentadores encarnados e desencarnados (estes, eventuais obsessores daqueles, ou vice-versa), os quais, sob alerta, são convidados ao perdão, à autorreforma...
- no C.E. há adequação administrativa e dependências para as atividades de “atendimento fraterno”, possibilitando que famílias carentes ali compareçam e permaneçam por algum tempo, recebendo auxílio material e principalmente espiritual (não há negar que eventuais acompanhantes desencarnados igualmente encontrarão atendimento e reconforto espiritual);
- no C.E. há maior possibilidade de ser instalada biblioteca de livros doutrinários e mesmo de banca para venda dessas obras (com isso, os médiuns têm obras próprias à mão, para o indispensável e contínuo estudo);
- no C.E. a frequência à reunião mediúnica pode e deve ser controlada, de forma a se evitar a presença não só de pessoas despreparadas, tanto quanto de crianças — cuidados esses que serão sempre relativos no lar...
- no C.E., caso a reunião mediúnica seja diurna, muito menor será a ocorrência de interrupções, espontâneas ou não, tais como campainha da rua, telefone, correios, medidores de água ou luz, etc.
- no C.E. não acontecem (ou “não devem acontecer”...) nem discussões, tão rotineiras entre casais, e nem projeções televisivas de programas inconvenientes, tais como filmes violentos ou noticiários, em geral de infelicidades, fatores esses impeditivos da higienização espiritual ambiental.




[1] Notas sobre reuniões mediúnicas: vide “Obras Póstumas”, 2ª Parte, a partir da p. 267 à p. 295, 21ª Ed., FEB, Brasília/DF
[2] Em “O Livro dos Espíritos”,  Introdução-I, p. 13,  81ª Ed., 2001, FEB, Brasília/DF
[3] “Nos Domínios da Mediunidade”, A.Luiz/F.C.Xavier, respectivamente: Cap 2, p. 22 a 25; Cap. 7,  p. 65 e 67 e Cap 28, p. 260, 8ª Ed., 1976, FEB, Brasília/DF .